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Rodrigo Repiso Campanholo, Advogado
Rodrigo Repiso Campanholo
OAB 353.747/SP VERIFICADO
O Jusbrasil confirmou que esta OAB é autêntica

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Thiago Araújo, Advogado
Thiago Araújo
Comentário · há 11 anos
Parabéns pelo texto! Excelente!

O ideal é continuar e fazer o que tem que ser feito, com o que se tem em mãos. O que os outros dizem é apenas o que os outros dizem, e quase sempre é tão útil quanto um cinzeiro em uma motocicleta.

Eu jamais recomendaria que alguém se endividasse para parecer o que não é. Se não pode ter roupas caras, não as tenha. O bom gosto e a habilidade para escolher uma roupa que caia bem ajudam muito, e isto se torna quase imperceptível. Obviamente, calçados devem estar bem engraxados, roupas limpas e bem passadas. O aspecto de asseio é fundamental. Só que tais detalhes nem deveriam ser ressaltados, pois todos deveriam ter este cuidado na vida.

Sobre um local requintado, deve se pensar em que público pretende atender, e se terá o retorno esperado para isso. O requinte consome bastante. E pensar se isto não pode afastar público em início de carreira, que geralmente ainda está em fase de formação. O requinte desproporcional pode afastar certos clientes que podem ser bons. Lembre-se que tem gente que nem tenta por achar que "dr. fulano é caro demais para mim".

Quanto a um carro: seus pais vão te dar ou emprestar um? Se não, tem condição de adquirir e manter um sozinho ou sozinha? Um carro, independentemente do preço, gerará custos e por vezes você poderá se endividar desnecessariamente. Já andei muito em transporte público (e de vez em quando, dependendo do local, ainda uso) e não morri por isso. No início percorria distâncias grandes e cansativas, e isso não me fez sentir que era pior ou desistir. Apenas me fez lutar mais para sair deste desconforto.

Em todo caso, deve se pensar no seguinte: se eu quiser "um carro novo, vestes impecáveis e um escritório requintado" eu já sou este profissional? Não adianta ostentar tudo isso e não ter a segurança para ser um profissional que justifique tamanho investimento. E não me refiro só a técnica, mas, principalmente, a segurança e experiência.

Outro ponto a se considerar: o cliente quer ver coisas boas, certo? Mas tudo isso tem um preço. Será que seu público está disposto a pagar pela imagem? Sim, a imagem agrega valor, e as pessoas pagam pelo que estão vendo, sem, muitas vezes, preocuparem-se com a qualidade em primeiro lugar. Ao trilhar este perfil, terá que ser firme.

Não dá para ter tudo isso e ao mesmo tempo se deixar levar por clientes que chorem preço ou ter empatia ao ponto de tornar sua imagem desproporcional ao preço de seus serviços. Quem quer algo bom, e que ainda tenha aspecto de beleza, tem que pagar por isso. Empatia é algo que não se justifica em muitas circunstâncias. Advocacia e filantropia não são sinônimos. Não somos instituições de caridade e nem devemos ter o pensamento puro de "ajudar ao próximo". De fato é uma ajuda, mas que pressupõe remuneração sempre.

Só para resumir: se acredita no que está fazendo, continue. Não dê ouvidos aos que te desanimarão. Evite colegas que não tenham os mesmos propósitos que você. Aprenda a ignorar quase tudo que ouvirá sob sua profissão, pois raros serão os que incentivarão. Descubra que entre as pessoas que terá que aprender a ignorar, estarão alguns amigos e familiares. Coloque a mão apenas em locais que seu braço alcance. Tenha pés no chão. Continue trabalhando firme e planeje investimentos futuros na sua profissão. Faça evoluções gradativas. Não tente viver de aparências. Não tenha vergonha do que você é, mas não se acomode nunca.

Abraços!
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